Ferramentas / Composição corporal
Calculadora de Gordura Corporal
O percentual de gordura corporal descreve quanto do seu peso é tecido adiposo e quanto é o resto do corpo: músculo, osso, água e órgãos. O cálculo abaixo usa a fórmula de circunferências desenvolvida para a Marinha americana, que precisa apenas de uma fita métrica. É uma estimativa com margem de erro conhecida, não uma medida.
O que esse número diz, e o que ele não diz.
Duas pessoas com o mesmo peso e a mesma altura podem ter corpos completamente diferentes. Uma carrega mais músculo, a outra mais gordura, e a balança mostra o mesmo número para as duas. O percentual de gordura corporal separa esse peso em duas partes: a massa gorda e todo o resto. É uma informação mais específica do que o peso sozinho, e mais específica do que o IMC, que também não distingue músculo de gordura.
Medir composição corporal de verdade exige equipamento. O DEXA, a pesagem hidrostática e a bioimpedância de boa qualidade fazem isso em laboratório ou consultório, com aparelhos calibrados. Esta página não mede nada. Ela estima a partir de circunferências, porque uma fita métrica é barata e qualquer pessoa consegue usar em casa.
O preço dessa conveniência é o erro, e ele tem número. Potter e colaboradores (2022) compararam a estimativa por circunferências com o DEXA em 609 fuzileiros navais americanos, sendo 430 homens e 179 mulheres. Nos homens, a estimativa por circunferências ficou cerca de 2,6 pontos percentuais abaixo do DEXA até os 30 anos, e 2,5 pontos abaixo acima dessa idade. Nas mulheres, ficou 2,3 pontos acima até os 30 anos, e 1,3 ponto acima depois. A dispersão individual em torno dessas médias foi de 3,7 a 4,8 pontos percentuais. Traduzindo: o número desta página pode estar vários pontos distante da medida real, para cima ou para baixo.
A equação também foi ajustada em uma população específica, militares americanos na ativa nos anos 1980. Corpos brasileiros, corpos mais velhos e corpos que passaram por grande perda de peso não estavam na amostra que produziu os coeficientes. Isso não inutiliza a estimativa, mas explica por que ela serve para acompanhar uma tendência ao longo do tempo, e não para fechar um diagnóstico.
Em algumas fases da vida a composição corporal muda mais rápido do que o peso. Na perimenopausa, a queda do estradiol redistribui gordura para a região abdominal enquanto a balança fica parada. Depois da cirurgia bariátrica e durante o uso de medicação para perda de peso, parte do peso perdido pode ser massa magra, e a balança não separa uma coisa da outra. Acompanhar circunferências ao longo dos meses, sempre com a mesma fita e nas mesmas posições, captura algo que o peso sozinho não captura. A calculadora de proteína ajuda a estimar o consumo diário associado à preservação de massa magra nessas fases.
Como medir.
A posição da fita muda o resultado mais do que parece. Um centímetro a mais na cintura desloca a estimativa em cerca de 0,4 a 0,5 ponto percentual nas mulheres e 0,6 a 0,7 ponto nos homens. Meça duas ou três vezes, use o número que se repete, e quando repetir a medida em outra semana, volte exatamente à mesma posição.
O protocolo da Marinha americana descreve as posições assim. Pescoço: sobre a pele, logo abaixo da laringe (o pomo de adão), com a fita perpendicular ao eixo do pescoço e o mais horizontal que a anatomia permitir, nunca por cima da laringe. Cintura nas mulheres: no ponto de menor circunferência abdominal, aproximadamente na metade da distância entre o umbigo e a base do esterno. Cintura nos homens: na altura do umbigo, com os braços soltos ao lado do corpo. Quadril: no ponto de maior projeção dos glúteos, visto de lado. Em todas as medidas o protocolo pede olhar para a frente, ombros baixos e relaxados, fita nivelada, e o número registrado ao final de uma expiração normal, sem forçar.
O protocolo original arredonda o pescoço para cima e a cintura e o quadril para baixo, em frações de polegada, o que empurra o resultado para o lado conservador. Esta página usa exatamente o número digitado, em centímetros. Por isso o valor daqui pode não coincidir com uma medição feita pelo protocolo militar completo.
Sobre a fórmula
As duas equações vêm de Hodgdon e Beckett (1984), do Naval Health Research Center, em San Diego. Na versão feminina entram cintura, quadril, pescoço e altura. Na masculina entram cintura, pescoço e altura. Nos dois casos o cálculo usa logaritmo de base 10 e estima primeiro a densidade corporal. Essa densidade vira percentual pela equação de Siri (1961), que divide 495 pela densidade e subtrai 450.
Quando você informa o peso, a massa gorda em quilos sai da multiplicação desse peso pelo percentual já arredondado que aparece na tela, e a massa magra é o que sobra. O peso informado é arredondado para uma casa decimal antes da conta, e os dois números somam exatamente esse valor, sem sobra de arredondamento. Como os dois vêm do mesmo percentual, herdam a mesma margem de erro proporcionalmente: se a estimativa está três pontos acima do real, os quilos de gordura também estão.
As faixas de referência mostradas junto do resultado vêm do American Council on Exercise, uma organização americana de certificação de profissionais de exercício. São descrições do que é típico em populações adultas não atletas, não são critérios clínicos e não são metas. Não existe hoje um consenso internacional de pontos de corte para gordura corporal equivalente ao que existe para o IMC. Gallagher e colaboradores (2000) propuseram derivar faixas a partir dos próprios limites do IMC, e os autores descrevem o resultado como provisório, com erro de estimativa de 2,8 a 5,4 pontos percentuais.
Um percentual sozinho não diz onde a gordura está distribuída, não diz nada sobre massa óssea e não substitui marcadores metabólicos. Sua equipe clínica observa esses fatores no contexto da consulta, e a médica parceira interpreta o número junto com o resto do quadro.
A fita mede circunferências. A leitura do corpo vem da consulta.
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